sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Ode a TV


Eu autorizo minha imagem para todos e devidos fins

Certo de que ela estará vinculada as mais perversas edições

Sabendo, inclusive, que estará certamente dialogando com toda sorte

De pornografias de péssimo gosto e de baixo escalão

E que automaticamente ela estará sendo visada como um produto

A ser consumido cruamente por inúmeros tipos de pessoas [consumidores]

Libero a minha imagem única exclusivamente a fim de estar me promovendo

Em busca de fama status e dinheiro sem a menor consciência de que automaticamente

Abandono toda minha integridade de Ser e abalo a integridade de todos meus colegas Consumidores

Abro mão de toda minha privacidade escancarando minha vida

Me deixando ser invadida por câmeras que por ventura irão penetrar

Todo âmago de minha essência me violentando com seus zooms

Microfones e afins

Na louca busca de um orgasmo forçado, sintético e artificial

Da qual não saíra nenhuma espécie de sussurro

Apenas a boca aberta [seca] com apenas a sombra de um grito que não darei

[Um grito parado no Ar]

Grito que darei mas ninguém escutara

Pois nesta hora os microfones estarão desligados...

4 comentários:

  1. Adorei,
    isso me lembrou aquele livro que te falei.

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  2. É Paulinho, as imagens estão aí, entupindo a cabeça da gente de coisas desnecessárias... enchendo, abarrotando o pensamento sem qualquer compromisso. O que deveria ser só distração, acaba virando um modo de vida. Abraços!!!

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  3. Nesse 11 de setembro as torres não caem.
    Gêmeas são as duplicações de Paulo.
    O Maffei autorizado aos gritos desplugados.

    Seguirei seus passos... rs. Abraços, Paulinho!
    Sapiência

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